Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta John O'Gallagher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John O'Gallagher. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de abril de 2026

CONCERTO: Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal com John O'Gallagher | Ovar em Jazz 2026



CONCERTO: Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal
Com | John O’Gallagher (saxofone)
Direcção | Pedro Moreira
Ovar em Jazz 2026
Centro de Artes de Ovar
11 Abr 2026 | sab | 21:30


O concerto de encerramento do Ovar em Jazz 2026 confirmou, uma vez mais, a vitalidade e pertinência artística da Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, uma formação que soube, ao longo das últimas décadas, consolidar um lugar singular no panorama nacional. Sob a direcção segura de Pedro Moreira, a Orquestra apresentou-se com uma coesão assinalável, revelando um trabalho rigoroso de preparação e uma escuta interna rara, que permitiu explorar dinâmicas subtis e contrastes expressivos com naturalidade. Ao longo do concerto, foi evidente a intenção de dar a ouvir as novas linguagens da música para orquestra, bem como de as tensionar à luz de uma sensibilidade contemporânea. Feito de nomes como Frank Carlberg, Hans Koller, Allan Ferber, Christine Jensen, Luís Cunha e Pedro Moreira, o alinhamento do concerto mostrou formas de escrita orquestral simultaneamente densas e permeáveis à improvisação, funcionando como terreno fértil para a afirmação de vozes individuais, sem nunca comprometer o equilíbrio colectivo.

Houve um sentido de continuidade a ligar este concerto à memória da actuação de 2021, na altura com o saxofonista Julian Argüelles a título de convidado. Mas houve também uma clara vontade de ir mais longe, recusando qualquer acomodação à fórmula já testada. A presença de John O’Gallagher veio acentuar essa dimensão de risco e abertura. O saxofonista nova-iorquino trouxe consigo um discurso firme, intelectualmente exigente e fortemente vinculado à pulsação física do jazz. O seu som, incisivo e por vezes quase abrasivo, contrastou com a maleabilidade da massa orquestral, criando momentos de fricção particularmente estimulantes. Longe de procurar um protagonismo fácil, O’Gallagher integrou-se na lógica do ensemble, dialogando com os naipes e desafiando-os a sair das suas zonas de conforto. Construídos com um sentido arquitectónico apurado, os seus solos revelaram uma imaginação rítmica e harmónica que elevou o concerto a um patamar de enorme densidade artística. Houve instantes em que a música pareceu suspender-se, como se todos os músicos procurassem, em simultâneo, uma nova direcção possível. A orquestra respondeu com maturidade, acompanhando e, por vezes, contrariando o solista, num jogo de forças que manteve o público em permanente expectativa.

Entre os músicos da casa, destacou-se novamente a solidez do colectivo, com intervenções individuais que, sem exibicionismos, contribuíram decisivamente para o resultado global. Uma parte dos aplausos vai, naturalmente, para a secção rítmica, onde pontuaram o contrabaixo de Emanuel Inácio e a bateria de Pedro Felgar, mas sobretudo a guitarra de Bruno Santos e o piano de Óscar Marcelino da Graça, funcionando como elementos agregadores, ora sublinhando tensões, ora abrindo espaços de respiração. O aplauso estende-se aos metais, reveladores de uma grande precisão e de um fraseado elegante e responsáveis por um conjunto de inspirados solos com assinatura de Johannes Krieger, Luís Cunha, Tomás Marques, Gonçalo Marques e Guilherme Fradinho. A Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal fecha em grade o Ovar em Jazz 2026 com a certeza de que não se limita a preservar uma herança, antes a transformá-la, projectando-a no presente com uma lucidez rara. O concerto foi, assim, um exercício de renovação e modernidade, memória e invenção, disciplina e liberdade. Um encerramento à altura da história do Ovar em Jazz: exigente, emotivo e profundamente vivo.

terça-feira, 7 de abril de 2026

CERTAME: Ovar em Jazz 2026



CERTAME: Ovar em Jazz 2026
Com | Anna Setton Quartet, Carlos Bica Quarteto, Marius Preda, Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal com John O'Gallagher
Centro de Artes de Ovar
08 > 11 Abr 2026


A partir de amanhã, e até ao próximo sábado, a cidade de Ovar volta a ser o epicentro do jazz nacional com a chegada do Ovar em Jazz, este ano a cumprir a sua oitava edição. Capaz de projectar a cidade no circuito internacional e de atrair tanto nomes consagrados como novas propostas artísticas, o festival recebeu, ao longo das suas anteriores edições, nomes como os de Amaro Freitas, Ricardo Toscano, Mário Costa, Marc Ribot, João Lencastre, Carmen Souza, Abe Rábade, Hugo Carvalhais, Carlos Bica, Andy Sheppard, Stefano Battaglia, Maria João, Danilo Pérez ou Tigran Hamasyan, entre muitos outros. Espelhando a sua consistência e ambição artística, prepara-se agora para mais quatro dias do melhor jazz, afirmando-se como um espaço de encontro entre a tradição e a vanguarda. Sob o lema “Jazz sem Fronteiras”, o certame volta a apostar no cruzamento de linguagens, geografias e gerações musicais, propondo, mais do que uma sucessão de concertos, uma experiência imersiva que se irá desdobrar entre Auditório, Caixa de Palco e Bar do Centro de Artes, envolvendo o público numa vivência plural e contínua.

À semelhança dos anos anteriores, a edição de 2026 mantém uma elevada linha de exigência, apresentando um cartaz que cruza nomes nacionais e internacionais de reconhecido mérito. Entre os destaques encontra-se o virtuoso romeno Marius Preda, que vamos poder ouvir na noite de sexta feira e que traz ao festival o projecto “Phenomenon”, síntese de mais de três décadas de carreira, onde o címbalo ganha protagonismo num diálogo entre tradição clássica, influências folk e improvisação contemporânea. A abrir o certame, já esta quarta feira, a cantora brasileira Anna Setton marca presença com um quarteto que funde jazz com bossa nova e MPB, num registo sofisticado e luminoso. Carlos Bica regressa ao festival com “11:11”, projecto de forte identidade melódica e intensidade expressiva, reafirmando o seu lugar como uma das figuras maiores do jazz português. Também a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal regressa ao festival, desta vez na companhia do saxofonista nova-iorquino John O’Gallagher, num encontro que cruza tradição e contemporaneidade e que promete encerrar em beleza esta edição do certame.

Para além dos concertos em sala, o Ovar em Jazz expande-se pelos mais diversos espaços do Centro de Artes, incorporando a gravação ao vivo do programa “Notas Azuis”, da Antena 3, com curadoria de Rui Miguel Abreu, bem como DJ sets, mostras de vinil e projectos emergentes. Iniciativas como o Ovar Jazz Collective, orientado por João Martins, reforçam a aposta na criação e valorização do talento local, estabelecendo pontes entre formação e performance. Ao mesmo tempo, propostas como Mantis, Fourward ou Oxímoro evidenciam a vitalidade de uma cena que recusa fronteiras estilísticas e procura novas formas de expressão. Neste equilíbrio entre memória e experimentação, o festival prossegue o seu trajecto de afirmação como espaço singular de liberdade criativa e de encontro cultural, entendendo o jazz não apenas como género musical, mas como linguagem aberta e em permanente transformação. O programa completo pode ser consultado na página Ovar/Cultura, em https://cultura.cm-ovar.pt/pt/menu/734/ovar-em-jazz.aspxAté jazz!