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terça-feira, 1 de setembro de 2026

LUGARES: MUDE – Museu do Design



LUGARES: MUDE – Museu do Design
Rua Augusta, 24 - Lisboa
Horários | Terça-feira a quinta-feira e domingo, das 10h00 às 19h00; sexta-feira e sábado, das 10h00 às 21h00 (Abril a Setembro). Terça-feira a quinta-feira e domingo, das 10h00 às 18h00; sexta-feira e sábado, das 10h00 às 20h00 (Outubro a Março)
Ingressos | € 15,00 bilhete completo (longa duração + temporárias)


Instalado numa antiga dependência do Banco Nacional Ultramarino, na Baixa lisboeta, o MUDE - Museu do Design, tem vindo a afirmar-se como um dos espaços culturais mais relevantes da cidade na forma de pensar o design enquanto expressão artística, política, social e industrial. Equipamento da Câmara Municipal de Lisboa, o MUDE abriu ao público em 25 de Julho de 2024 e é hoje um lugar incontornável de interrogação permanente sobre os modos de viver contemporâneos, propondo ao visitante uma leitura crítica da cultura material dos séculos XX e XXI. “Para que servem as coisas? Peças do Acervo MUDE 1900-2020”, a actual exposição de longa duração, funciona como espinha dorsal dessa reflexão. Distribuída pelo terceiro piso, a mostra recusa a simples lógica contemplativa dos grandes ícones do design e prefere questionar as razões que moldam os objectos: porque são desenhados, que valores transportam consigo, como circulam, de que forma são consumidos. Do mobiliário ao textil, do design gráfico às peças industriais ou à documentação de arquivo, a mostra estabelece diálogos entre diferentes épocas e linguagens, convocando temas como o consumo, a sustentabilidade, a produção em massa ou a identidade cultural.

Uma proposta de visita poderá ter no terceiro piso o ponto de partida, permitindo contextualizar o acervo permanente e apresentar a singularidade do MUDE enquanto museu vivo e laboratório do pensamento. O percurso privilegia uma leitura transversal das peças, aproximando o design da experiência quotidiana do visitante. Ao invés de uma abordagem exclusivamente cronológica, são as perguntas simples que se impõem - para que servem as coisas?, quem decide o seu valor?, como muda o gosto? -, criando um diálogo aberto entre o visitante e o material expositivo. Ao nível das peças de design de produto e as peças de moda recentemente integradas na exposição, destacam-se nomes incontornáveis da criação internacional e portuguesa, de Issey Miyake a Yves Saint Laurent, de Ana Salazar a Nuno Baltazar. A rotatividade destas peças, essencial para a sua preservação, oferece também uma ideia da dimensão do acervo do museu, hoje composto por milhares de objectos, documentos e colecções especializadas.

Neste contexto, torna-se particularmente relevante apreciar a reserva visitável e o trabalho invisível de conservação, catalogação e investigação que sustenta o funcionamento do Museu. O MUDE deixa assim de ser apenas um espaço de exposição para se afirmar como centro de conhecimento e produção crítica sobre o design em Portugal. O percurso poderá estender-se aos restantes pisos e abarcar as exposições temporárias, através das quais o MUDE reforça a diversidade do seu programa expositivo e o seu compromisso com o debate contemporâneo. Há exposições que cruzam a pedagogia, o design e a experimentação visual, numa reflexão sobre literacia e comunicação. Outras propõem uma leitura política do design gráfico através de décadas de activismo, propaganda e mobilização social, desde o pré-25 de Abril até às actuais causas ambientais e identitárias. Há, ainda, uma intenção deliberada de abrir espaço às novas gerações de criadores portugueses, através da revelação de processos, inquietações e projectos emergentes. A visita deverá terminar justamente nessa ideia de continuidade: o design não como disciplina encerrada no passado, mas como ferramenta activa para interpretar o presente e imaginar futuros possíveis.