LUGARES: Museu Arqueológico de Córdoba
Plaza de Jerónimo Páez, 14003
Horários | De terça-feira a domingo, das 09:00 às 21:00
Ingressos | Grátis (residentes UE); € 1,50 (não residentes UE)
Córdoba é uma cidade onde a História se sedimentou em camadas sucessivas e nas quais se reconhecem as suas marcas identitárias. Fundada pelos Romanos e convertida em importante capital da Hispânia Bética, conheceu um período de extraordinário esplendor durante o domínio islâmico, quando se transformou na capital do Califado Omíada do Al-Andalus e num dos maiores centros culturais da Europa medieval. Judeus, muçulmanos e cristãos partilharam, ao longo de séculos, o mesmo espaço urbano, nem sempre em circunstâncias pacíficas, mas contribuindo decisivamente para a riqueza intelectual, artística e arquitectónica da cidade. A antiga judiaria, a Mesquita-Catedral e os numerosos vestígios arqueológicos espalhados pelo centro histórico testemunham esse encontro de culturas que moldou a personalidade cordobesa. É precisamente neste contexto que o Museu Arqueológico de Córdoba se afirma como uma das instituições mais relevantes para compreender a evolução da cidade. Instalado no palácio de estilo renascentista dos Páez de Castillejo e num edifício contíguo, o museu reúne um acervo que percorre vários milénios de ocupação humana, permitindo ao visitante acompanhar a transformação de Córdoba desde os primeiros povoamentos até à época moderna.
Ao longo de três pátios e oito salas, a visita reveste-se de uma viagem cronológica que revela a complexidade de uma urbe construída sobre as heranças de diferentes civilizações. Nos pisos superiores, a exposição permanente conduz o visitante através das sucessivas culturas que habitaram a região. As primeiras salas apresentam materiais pré-históricos e proto-históricos, incluindo utensílios líticos, cerâmicas e objectos provenientes de povoados que antecederam a chegada de Roma. Seguem-se as colecções ibéricas e romanas, núcleo central do museu e um dos mais importantes da Andaluzia. Entre as peças de maior relevo destacam-se esculturas monumentais, inscrições epigráficas, mosaicos e elementos arquitectónicos que ilustram a importância de Córdoba como capital da província Bética. Particular atenção merece a impressionante estátua de mármore representando uma figura feminina togada, bem como os retratos imperiais e os numerosos testemunhos da vida pública e privada da cidade romana. O percurso prossegue com as colecções visigóticas, islâmicas e medievais cristãs, onde se encontram capitéis, relevos, cerâmicas decoradas, moedas e objectos do quotidiano que documentam a continuidade da ocupação urbana. Estas peças permitem compreender de que modo cada civilização reutilizou espaços, materiais e tradições das anteriores, construindo uma memória colectiva que atravessou séculos e que permanece bem visível nas ruas da cidade.
A visita culmina no piso inferior, onde o Museu revela um dos seus tesouros mais notáveis: os vestígios do antigo teatro romano de Córdoba. Descoberta relativamente recente, esta estrutura constitui uma das mais importantes evidências da monumentalidade da cidade durante o período imperial. Integrado no próprio percurso museológico, o espaço arqueológico permite observar parte das fundações e da arquitectura original do edifício, cuja construção remonta ao século I antes de Cristo. Painéis interpretativos e recursos expositivos ajudam a reconstituir a dimensão de um teatro que chegou a figurar entre os maiores da Hispânia romana. Entre muros ancestrais, blocos de pedra e estruturas que permaneceram ocultas durante séculos sob edificações posteriores, o visitante percebe como a cidade contemporânea assenta literalmente sobre as cidades do passado. É uma experiência que ultrapassa a simples contemplação de objectos em vitrinas: aqui, a arqueologia surge como realidade física e tangível, permitindo descer ao subsolo da História. Ao ligar o acervo exposto nas galerias superiores ao contexto urbano que lhe deu origem, o Museu Arqueológico de Córdoba oferece uma leitura coerente e fascinante da evolução da cidade, afirmando-se como paragem indispensável para quem procura compreender a extraordinária herança cultural de uma das mais emblemáticas cidades da Península Ibérica.
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