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terça-feira, 17 de outubro de 2023

CERTAME: 11ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2023


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CERTAME: 11.ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2023
Curadoria | Nuno Canelas
Alijó, Celeirós, Chaves, Favaios, Vila Nova de Foz Côa, Peso da Régua, S. Martinho de Anta e Vila Real
10 Ago > 31 Out 2023


Alicerçado na mais antiga região vinícola demarcada do mundo - laureado por dois patrimónios da humanidade atribuídos pela UNESCO e mundialmente reconhecido quer pela sua paisagem vinhateira, quer pelo património arqueológico do Vale do Côa (o maior santuário de gravura paleolítica do mundo) -, o Douro é palco, também na contemporaneidade, de um dos maiores eventos de arte gráfica do mundo. Falo da Bienal Internacional de Gravura do Douro, certame que reune dentro de si uma força e dimensão que ultrapassa as fronteiras do país e se projecta para horizontes infinitos. Fundado em 2001, o certame tem sobrevivido aos desafios da interioridade, das sucessivas crises económicas e da própria crise da gravura, mantendo vivos os pressupostos da arte e a autonomia da gravura no contexto da arte contemporânea. Para tal, muito têm contribuído os tributos da gravura tradicional e suas alquimias seculares, bem como as renovadas tendências da gravura digital e dos novos media ao seu dispor, garantindo-lhe a autonomia de que necessita para subsistir.

Assumindo a responsabilidade de ser única no género no nosso país, a Bienal Internacional de Gravura do Douro ombreia, hoje em dia, com as mais importantes Bienais do mundo. A comprovar tal fasquia, salientam-se as exposições de homenagem a artistas mundialmente reconhecidos como Antoni Tàpies, Paula Rego, Vieira da Silva, Octave Landuyt, Gil Teixeira Lopes, Nadir Afonso, David de Almeida, Bartolomeu do Santos, Júlio Pomar, José de Guimarães e agora Silvestre Pestana, mas também pela abrangência e internacionalidade alcançada ao longo de onze edições, registando a presença de mais de mil artistas de uma centena de países. Para que se perceba a dimensão do certame, atente-se nos números da presente edição: sessenta e cinco países, quinhentos artistas, oitocentas gravuras, e oito exposições distribuídos por vários núcleos centrados em Alijó, Celeirós, Chaves, Favaios, Foz Côa, Peso da Régua, São Martinho de Anta, eVila Real.

Atentando naquilo que me foi possível ver nesta edição da Bienal, começaria por referir os trabalhos que se encontram no Museu do Côa, onde se concentram as instalações. No Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, pode o visitante encontrar uma vasto número de trabalhos, onde qualidade e variedade se combinam na perfeição (pessoalmente, foi aqui que encontrei os trabalhos mais desafiantes e imaginativos). Em Alijó, é na Biblioteca Municipal e no Complexo de Piscinas que se concentram os trabalhos mais interessantes ou, pelo menos, aqueles que se dão a ver em melhores condições, já que as condições de luminosidade no Auditório Municipal prejudicam grandemente a visualização da maior parte das obras. O mesmo acontece no Núcleo Museológico de Favaios, onde muitas das obras sofrem o efeito de múltiplos reflexos e deixam de poder ser apreciadas com detalhe. Finalmente, Celeirós e Vila Real reúnem um número interessante de obras com qualidade, merecendo também eles a visita. A Bienal de Gravura do Douro encerra já no próximo dia 31.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

LUGARES: Espaço Armanda Passos | Museu do Douro


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LUGARES: Espaço Armanda Passos
Museu do Douro
Rua Marquês de Pombal, Peso da Régua
Horário | De Março a Outubro, das 10h00 às 18h00; de Novembro a Fevereiro, das 1h:00 às 17h30. Aberto diariamente
Ingressos | Bilhete individual 6,00 €


“Estes peixes que respiram ar, estes golfinhos sorridentes, estes lagartos sem veneno, estes dragões sem fogo nas goelas, em suma, este bestiário que não teria podido sobreviver num mundo violento e alucinado de Bosch veio encontrar no planeta de Armanda Passos uma nova idade de ouro.”
(José Saramago, 2004)

Após um largo período de encerramento por imposição de mais uma vaga da pandemia de COVID-19, o Museu do Douro reabriu as suas portas ao público em Maio do ano passado, trazendo a grande novidade de uma nova ala expositiva permanente, o Espaço Armanda Passos. Dedicado à artista plástica nascida em Peso da Régua e falecida no Porto, em Outubro de 2021, este espaço amplia o circuito de visita do Museu do Douro, dando a possibilidade ao visitante de fazer um percurso pela diversidade de obras e diferentes técnicas usadas pela artista e ficar a conhecer melhor a sua arte. Composta por oitenta e três obras que a Armanda Passos doou ao Museu da sua terra, entre desenhos a tinta-da-china, guaches, óleos, gravuras e serigrafias, a exposição tem a mulher configurada como eixo principal, culminando todo um trajecto de celebração da Mulher duriense ao longo de quase meio século de carreira artística.

Caracterizada como Neo-Figurativa, a obra da artista vive em torno de personagens que se apresentam planas, definidas por um traço bem delineado e vestidas de cores fortes que as impõem ante o nosso olhar. Povoados por figuras humanas e animais que parecem coabitar harmoniosamente, os universos abordados representam, de forma simbiótica, a dureza do quotidiano e a vontade de sonhar. Bidimensionais, os trabalhos rejeitam qualquer noção de escala ou proporção e as cores, sejam elas em mancha ou nos padrões, são aplicadas de forma rigorosa, trazendo uma espécie de organização conjunta às obras. O uso do dourado é comum em todas elas, seja em pequenos detalhes ou em elementos de destaque – há um viajar até civilizações antigas, até às obras de Gustav Klimt, mas também uma certa ideia de um futuro imagético.

Aparentemente simples, as obras pedem que nelas repousemos demoradamente o olhar, deixando-nos pacificar ou inquietar com as narrativas que cada uma tem o poder de suscitar. As várias figuras fazem-nos pensar em tempos longínquos, como que mitológicos, ao mesmo tempo que parecem anunciar um futuro. A ausência de títulos nas obras concorre para que nos deixemos levar por um mundo de possibilidades, sem nunca nos forçar uma narrativa ou detalhes específicos do que estamos a ver. O mundo de cada desenho apresentado é um só, embora haja um fio condutor a relacioná-lo com o da obra anterior e com o da seguinte. É como se as personagens se repetissem, ainda que valendo por si só, abrindo espaço à construção de uma história global. Visitar o Espaço Armanda Passos é penetrar num mundo de inquietação e fascínio, que em sobressalto percorremos e em cujo âmago nos apaziguamos. Uma visita indispensável.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

LUGARES: Museu do Douro


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LUGARES: Museu do Douro
Rua Marquês de Pombal, Peso da Régua
Horários | De segunda a domingo, das 10h00 às 18h00 (01 de Março a 31 de Outubro) e das 10h00 às 17h30 (01 de Novembro a 28 de Fevereiro)
Ingresso | € 6,00 (bilhete normal)


Criado pela Lei 125/97, o Museu do Douro foi concebido como um museu de território, polivalente e polinuclear, vocacionado para reunir, conservar, identificar e divulgar o vastíssimo património museológico e documental disperso pela região. Numa perspetiva de “museologia de comunidade”, trata-se de um espaço que busca a colaboração ativa com as instituições locais, regionais e internacionais, constituindo-se num instrumento ao serviço do desenvolvimento sociocultural da Região Demarcada do Douro. Gerido pela Fundação Museu do Douro, o Museu do Douro preserva, estuda, expõe e interpreta objetos materiais e imateriais representativos da identidade, da cultura, da história e do desenvolvimento do Douro, independentemente da época histórica, de vários tipos e fabricos, com especial incidência nos elementos associados à vitivinicultura, atividade central no Douro.

Como determinado pela lei da sua criação, o edifício sede do Museu do Douro situa-se na cidade de Peso da Régua e ocupa a Casa da Companhia, um dos mais emblemáticos edifícios da história da Região Demarcada. A sua construção está diretamente relacionada com a fundação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro que em 1756 criou a primeira zona vinícola regulada do mundo. O edifício foi projectado para congregar diversas funções, acomodando serviços administrativos, um tribunal para tratar dos processos jurídicos da sua esfera legal, áreas de vinificação e armazenamento de vinho e ainda alojamento temporário para funcionários e vinicultores do Douro, que rumavam à Régua para negociarem os vinhos na feira anual. Ao longo do século XIX a Companhia foi perdendo o monopólio e privilégios sendo extinta em 1863. O edifício passou depois a ser propriedade da empresa Real Companhia Velha que manteve as funções de armazenamento de vinho e serviços administrativos no edifício. Em 1997 com a criação do Museu do Douro iniciaram-se diligências para adquirir a Casa da Companhia para que acolhesse a sede do museu. O projeto para remodelação e ampliação do edifício foi iniciado em 2007 e concluído em 2008. O edifício foi classificado em 2017 como Monumento de Interesse Público.

Organizada em dois pisos da sala central do Museu, a exposição permanente “Douro: Matéria e Espírito” foi concebida como uma síntese temporal e geográfica da Região Demarcada do Douro. Estruturada como a grande porta de entrada no Douro, apresenta as singulares características da geomorfologia da região, determinantes fatores históricos e o engenho do Homem que fundaram os alicerces da especialização deste território na produção vinícola. No piso 0, a exposição é desenvolvida ao longo de uma grande linha temporal – desde a pré-história ao século XXI, culminando na declaração do Alto Douro Vinhateiro, em 2001, como Património Mundial da UNESCO. No piso 1, através de dispositivos mais visuais, apresentam-se diversos aspetos da produção e comercialização vinícola da região – que vão desde a garantia da excelência do laboratório ao desenvolvimento de imagens de marca, que se exprimem na distribuição mundial dos vinhos do Douro e Porto. São também exploradas as qualidades sensoriais do vinho, que simultaneamente celebram a sua cultura e contribuem para que o público possa conhecer algumas das suas características enológicas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

CERTAME: 10ª Bienal Internacional de Gravura do Douro


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CERTAME: 10ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2020
Vários artistas
Museu do Douro, Peso da Régua
10 Ago > 31 Out 2020


16 exposições, 64 países representados, 625 artistas e 1300 obras. São estes os números da Bienal Internacional de Gravura do Douro, este ano a celebrar a sua 10ª edição. Com pólos espalhados por Alijó, Bragança, Celeirós, Chaves, Favaios, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Gaia, Peso da Régua, S. Martinho de Anta, Vila Real, o certame faz da mais antiga região vinícola demarcada do mundo - o Douro, região laureada por dois patrimónios da humanidade atribuídos pela UNESCO e mundialmente reconhecidos quer pela sua paisagem vinhateira, quer pelo património arqueológico do Vale do Côa, o maior santuário de gravura paleolítica do mundo - um palco maior da contemporaneidade, ao acolher um dos maiores eventos de arte gráfica do mundo, reunindo assim dentro de si, uma força e dimensão que ultrapassa as fronteiras do país e se projecta para horizontes infinitos.

Perseguindo este propósito e ambição alcançada, a Bienal do Douro tem vencido os desafios da interioridade, da crise económica, da crise cultural, da própria crise da gravura e tem sabido manter vivos os pressupostos da arte e a autonomia da gravura no contexto da arte contemporânea. Para tal, muito têm contribuído os tributos da gravura tradicional e suas alquimias seculares, mas não menos importantes, das renovadas tendências da gravura digital e dos novos media ao seu dispor, no sentido de lhe conferir a autonomia que ela necessita para subsistir. O campo aberto à gravura pelas novas linguagens híbridas e técnicas não tóxicas, têm projectado o seu impacto de uma forma inovadora e com a vitalidade há muito desejada nos seus domínios.

Este evento cultural arrancou com uma exposição de homenagem a Silvestre Pestana, poeta, artista plástico e performer, no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, num espaço que está a celebrar 10 anos de existência. Da programação, assume a maior relevância a exposição “2ª Guerra Mundial, 75 Anos Depois: Testemunhos Através da Obra Gráfica”, patente no Espaço Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, comissariada pelo artista holandês Bert Menco e que inclui uma obra de José de Guimarães, "um poderoso trabalho, que reflete o particular papel de Portugal no confronto de uma crise de refugiados, tanto na época como agora". Destaque ainda para a exposição individual de Michael Besant, o projecto “Galeria Pública para as Artes Digitais, de Silvestre Pestana e Celeste Cerqueira, um workshop de “Gravura Não Tóxica” orientado pelo porto-riquenho Fernando Santiago e ainda a Conferência “Os Novos Media e a Gravura Hoje”. Para ver até ao dia 31 de Outubro.