LUGARES: Real Mosteiro de S. Jerónimo
Calle Rector López Argüeta 9, Granada
Horários | Horário de Verão, de Segunda-feira a Sábado, das 10h00 às 13h00 e das 16h00 às 19h00; Domingos e Feriados, das 11h00 às 13h00 e das 16h00 às 19h00. Horário de Inverno, de Segunda-feira a Sábado, das 10h00 às 13h00 e das 15h00 às 18h00; Domingos e Feriados, das 11h00 às 13h00 e das 15h00 às 18h00
Ingressos | € 7,00, bilhete normal; € 33,00, bilhete combinado (inclui Catedral de Granada, Capela Real, Mosteiro da Cartuxa, Abadia do Sacromonte, Mosteiro de S. Jerónimo e Igreja de San Nicolás + Torre)
Fundado em 1492 por vontade dos Reis Católicos, o Real Mosteiro de S. Jerónimo ergue-se como um dos mais notáveis testemunhos da Granada cristã saída da Reconquista. O propósito da Coroa era estabelecer na cidade a Ordem dos Jerónimos, congregação de origem espanhola que gozava de particular estima dos soberanos, dedicando-lhe um mosteiro onde toda a glória fosse atribuída exclusivamente a Deus. A intenção inicial passava por construí-lo em Santa Fé, no local onde se instalara o acampamento das tropas cristãs durante o cerco de Granada, mas as condições do terreno aconselharam a sua transferência para uma propriedade situada extramuros da cidade, doada pelos monarcas. As obras tiveram início em 1505 e avançaram com assinalável rapidez, permitindo que, em 1521, a primeira comunidade de monges ali se estabelecesse. A beleza do conjunto impressionou desde cedo os visitantes. Em 1526, o embaixador veneziano Andrea Navagero descrevia um mosteiro magnífico, rodeado por jardins, fontes e dois claustros de extraordinária elegância, onde laranjeiras, cedros perfumados, murtas e outras espécies transformavam o espaço num verdadeiro jardim renascentista.
Entrando no Mosteiro, é o Claustro Principal, também conhecido como Claustro Processional, que melhor traduz o quotidiano da antiga comunidade jerónima. De feição gótica, mas enriquecido por uma elegante decoração renascentista, este era o coração da vida conventual, onde os monges circulavam, meditavam e celebravam as procissões internas. Sobre a entrada permanece inscrito o lema que sintetiza o espírito da casa - Soli Deo honor et gloria -, acompanhado da data de 1593, recordando que toda a vida ali decorria em honra de Deus. Os jardins, pontuados por laranjeiras e harmoniosamente enquadrados pelas galerias do claustro, conservam grande parte do encanto descrito pelos viajantes do século XVI. Ao longo das paredes sucedem-se sete arcossólios concebidos como pequenas capelas, enriquecendo um espaço onde arquitectura, natureza e espiritualidade dialogam em perfeita sintonia. A poucos passos encontra-se o chamado Claustro da Imperatriz, assim designado por ali ter residido, em 1526, Isabel de Portugal, esposa de Carlos I de Espanha e imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico. Depois de vários abalos sísmicos sentidos na cidade, a soberana escolheu este mosteiro como refúgio seguro, permanecendo nele durante uma estadia que ficaria ligada à gravidez daquele que viria a ser Filipe II.
A visita prossegue ao longo das antigas dependências conventuais, espaços que revelam a organização rigorosa da vida monástica. O refeitório era o local onde a comunidade tomava as refeições em silêncio, enquanto a Sala Profundis recebia esse nome por nela ser entoado o Salmo 129 antes das refeições e em sufrágio dos irmãos falecidos. A Sala Capitular, destinada às reuniões da comunidade e às decisões mais importantes da vida do mosteiro, conserva a lápide sepulcral de Pedro Ramiro de Alva, prior da casa e arcebispo de Granada entre 1526 e 1528. Já na sacristia destaca-se uma imponente mesa em mármore proveniente de El Carmen de los Mártires, testemunho da riqueza artística acumulada ao longo dos séculos. A história do Mosteiro, contudo, conheceu períodos difíceis. Em consequência da desamortização decretada por Mendizábal, em 1835, os monges abandonaram o edifício, que foi transformado em quartel. Apenas na década de 1960 regressou à Ordem de S. Jerónimo, iniciando-se uma profunda campanha de recuperação que permitiu devolver-lhe a dignidade original. Desde 1977 é habitado por uma comunidade de madres jerónimas, que mantém viva a vocação espiritual do monumento.
O percurso culmina na igreja, cuja imponência sintetiza a evolução artística do conjunto. O templo apresenta uma única nave rectangular, dividida em quatro tramos, ladeada por capelas laterais. A estrutura pertence ainda ao gótico final, mas o Altar-Mor anuncia já o pleno Renascimento, reflectindo a transição estética que marcou a arquitectura espanhola do século XVI. No século XVIII, tectos e paredes foram revestidos por exuberantes pinturas murais executadas entre 1723 e 1735 pela oficina de Juan de Medina, enriquecendo o interior com uma notável cenografia barroca. É, porém, a Capela-Mor que concentra o maior simbolismo histórico, acolhendo os túmulos de Gonzalo Fernández de Córdoba, o célebre Gran Capitan, e de sua esposa, María Manrique, duquesa de Sessa. Militar brilhante ao serviço dos Reis Católicos, Gonzalo destacou-se nas grandes campanhas militares do final do século XV e do início do século XVI, tornando-se uma das figuras mais prestigiadas da história de Espanha. É o final de uma visita a um Mosteiro onde arquitectura, arte, memória e espiritualidade se entrelaçam, preservando intacto um dos mais preciosos legados monumentais de Granada.
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