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quinta-feira, 16 de julho de 2026

CONCERTO: António Zambujo



CONCERTO: António Zambujo
Com | António Zambujo (voz e viola), João Salcedo (piano), João Moreira (trompete), José Miguel Conde (clarinete) e Francisco Brito (contrabaixo)
FESTA – Sons da Lusofonia
Parque Urbano de Ovar
11 Jul 2026 | sab | 21:30


António Zambujo foi o nome maior da última noite do FESTA – Sons da Lusofonia, chamando ao Parque Urbano de Ovar uma multidão que respondeu à chamada da organização com expectativa e entusiasmo. O recinto encheu-se para receber um dos mais populares e consensuais intérpretes da música portuguesa contemporânea, dono de um percurso singular que soube cruzar o fado, o cante alentejano, a música popular brasileira e a canção de autor, construindo uma identidade artística imediatamente reconhecível. Desde os primeiros passos, em Beja, passando pela consagração nacional e internacional, Zambujo é hoje uma referência incontornável da música de expressão portuguesa, acumulando distinções e uma legião de admiradores dos dois lados do Atlântico. Em Ovar, essa popularidade fez-se sentir desde o primeiro instante, perante uma assistência numerosa e calorosa, que ergueu a voz em praticamente todas as canções e respondeu com entusiasmo permanente a um concerto pensado para equilibrar memória e novidade. É que o músico aproveitou a ocasião para apresentar uma parte substancial de “Oração ao Tempo”, o seu mais recente trabalho discográfico, sem nunca perder de vista os temas que marcaram diferentes fases da sua carreira e que continuam a ocupar um lugar privilegiado nos corações do seu público.

O alinhamento começou precisamente por afirmar essa vontade de olhar para o presente, abrindo com “Palma da Mão”, seguindo-se “Prescrição”, “Nossa Alma é Siamesa”, “Regresso à Infância” e a faixa-título “Oração ao Tempo”, numa sequência onde sobressaíram a habitual contenção interpretativa e o rigor de uma banda que privilegia o detalhe e a subtileza dos arranjos. A partir daí, o cantor foi convocando sucessivos momentos de reconhecimento imediato, revisitando “Guia”, “Catavento da Sé”, “Zorro”, “Apelo”, “Reader’s Digest”, “O Tiro pela Culatra”, “Lote B”, “Algo Estranho Acontece” e “Visita de Estudo”, compondo uma verdadeira viagem pela evolução do seu repertório. Entre canções houve espaço para a boa disposição, para o humor despretensioso que caracteriza a sua presença em palco e até para interromper o concerto e cantar os parabéns a uma espectadora muito especial, gesto espontâneo que conquistou de imediato a plateia. A proximidade com o público voltou a revelar-se uma das maiores virtudes do cantor alentejano, cuja simplicidade reforça a enorme qualidade musical de um espectáculo construído sobre interpretações elegantes, uma voz de timbre inconfundível e uma naturalidade que dispensa qualquer gesto cénico.

“Pica do 7”, um dos momentos mais aguardados da noite, encerrou o alinhamento principal sob uma prolongada ovação, mas o público não permitiu que a despedida fosse definitiva. No “encore”, António Zambujo regressou para prestar a já habitual homenagem a Max, interpretando “Rosinha dos Limões” e recordando um dos artistas que mais influenciaram a sua carreira. Seguiu-se “Gota de Água”, evocação das suas raízes alentejanas e da profunda ligação ao cante, património que continua a atravessar discretamente grande parte da sua obra. O fecho aconteceu com “No Rancho Fundo”, numa leitura simultaneamente emotiva e festiva que funcionou como perfeita celebração da lusofonia, tema agregador de um festival que, desde a sua criação, tem feito da diversidade cultural do espaço lusófono a sua principal razão de existir. Foi um final de enorme simbolismo para um concerto sólido, coerente e musicalmente irrepreensível, que confirmou António Zambujo como um dos grandes embaixadores da canção portuguesa contemporânea e constituiu, sem surpresa, o ponto mais alto desta edição do FESTA – Sons da Lusofonia, correspondendo plenamente às expectativas de um público que encheu o Parque Urbano de Ovar para testemunhar mais uma noite memorável.

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